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Na livraria...

sempre gostei de entrar em livrarias. em tempos de estudante, quando o relógio avançava a outro ritmo, visitava as livrarias na Baixa regularmente. directa à secção de Artes, folheava, cheirava, sorria para as imagens que se apresentavam, deslumbrantes, diante dos meus olhos.
durante muito tempo, culpando o tempo quando a culpa é toda minha e só minha, perdi esse hábito. felizmente, sinto-me a acordar desta sonolência provocada por 7 anos de trabalho das 9h às 19h. na verdade, o tempo é o mesmo, eu é que mudei. acomodei-me. reparei que, se é verdade que as mantas e sofás, fisicamente, continuam a provocar-me repulsa, também é certo dizer que os meus dias se assemelham muito a estar num sofá das 9h às 19h, de ecrã em frente dos olhos. eu, que me imaginava de obra em obra, desenhando armários, paredes e portas, acabei por me tornar uma simples informática, a quem exigem pouco mais do que rapidez na execução do trabalho.
o grande pormenor é que esta é apenas uma parte (muito considerável é certo) dos meus dias, e por poucas horas que me sobrem, sempre tive escapes à rotina e tenho na minha família e amigos, o mais fantástico retorno de todas as minhas ideias, frustrações, receios e sonhos.
como é bom acordar, tirar a manta das pernas e deixar o sofá. abaixo o chá e viva a cerveja fresquinha com tremoços. como foi bom entrar numa livraria, e com tempo, folhear, cheirar e sorrir. trouxe a Rebecca para casa (já viram bem a beleza deste Diário Secreto do Pequeno Poelgar?) e um livro da autoria da ilustradora que lecciona o curso de ilustração que estou a frequentar (e que vou pedir para ela assinar).
aos poucos o tempo pertence-me. não falo a ninguém dos meus planos. escrevo-os. para depois passar da palavra à acção. a única coisa má que pode acontecer é ficar exactamente como estou, e o melhor que pode vir é ganhar asas e voar. feliz. livre. e colorida. como sempre fui, felizmente.

8 comentários:

  1. Oh, como eu te percebo! "aos poucos o tempo pertence-me". Sim, é isso que tenho fazer. Conseguir manter o tempo para os meus e, principalmente para mim, no meio desta confusão de coisas para fazer!

    E os livros? Devíamos ser "obrigados" a comprar livros. Devíamos ter descontos no IRS por comprarmos livros. Principalmente daqueles mesmo bons ou mesmo bonitos ou mesmo úteis! :)

    Só uma pequena nota: não é "desfolhar" mas sim "folhear" quando nos referimos a livros. Eu tenho/tinha exactamente o mesmo vício e ando a tentar combater, acho que foi por isso que reparei. "Desfolhar" significa "tirar folhas a" e não me parece que tu sejas pessoa para isso! :D

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  2. Esse Pequeno polegar parece-me delicioso. Na feira do livro de Lisboa atrevi-me a fazer alguns investimentos em livros infantis, mas parece que ainda não foram os suficientes.

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  3. analog girl, este livro é um pequeno tesouro. há livros infantis tão bonitos e fora do vulgar, e o preços são bem convidativos.

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  4. Eu estou a aproveitar o meu muito tempo livre para fazer o que gosto. Hoje de manhã fui com a Alarica à biblioteca e há tanta coisa linda para nos inspirar... :D

    Bom fim de semana.

    Bjs xx

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  5. Esse Pequeno Polegar é também delicioso, sem dúvida!
    Que bom lutarmos para recuperar hábitos perdidos que nos faziam sentir tão bem... continua ;)
    E faz planos, muitos planos e sonhos, para depois passares da teoria à acção com toda a força!!

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  6. eu nunca me vejo a trabalhar só. Acho que dava em maluca, é preciso escape, seja num curso mais a séria seja num workshop de culinária.
    Só tive um ano, só a trabalhar e quando voltei a estudar (neste caso o curso de foto) era um alivio sair e ir pro laboratório revelar imagens.
    faz falta

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  7. eu tb sempre fiz outras coisas, na maioria destes anos andei entretida a dançar hip hop... não há melhor escape. mas quero dar ainda mais sentido aos meus dias.

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