Lanzarote - Parte 1

resolvi preparar-vos um relato da nossa viagem a Lanzarote em "3 tempos". primeiro, algumas descrições generalizadas acerca da minha impressão acerca da ilha e posteriormente, dois posts dedicados a duas personalidades, César Manrique e... José Saramago. querem viajar comigo?

Lanzarote é conhecida como a Ilha do Fogo e facilmente percebemos o motivo de tal designação assim que saímos do aeroporto e nos vemos rodeados de manchas e pedras negras, resultantes de lava solidificada. As mais violentas erupções vulcânicas aconteceram ininterruptamente durante 6 anos, na primeira metade do século XVIII. O Parque Nacional de Timanfaya é por isso visita obrigatória, naquela base do "ir a Roma e não ver o Papa". Realmente é avassalador, percorrer as ruas "oficiais" para visitar o parque e apercebermo-nos do grau de destruição que, séculos depois, ainda é visível. Campos de cinzas e rochas de lava, crateras adormecidas e vegetação praticamente inexistente, fazem com que muito facilmente se compare este terreno ao solo lunar. Acabamos por almoçar no restaurante panorâmico mesmo no cimo do Parque de Timanfaya, o menu foi frango... cozinhado numa grelha, sobre um enorme buraco com fogo vindo das profundezas da terra!
imagem 01: estrada rasgada entre um mar de lava solidificada em direcção a Timanfaya
imagem 02: vista geral à chegada ao centro de Timanfaya
imagem 03: a caminho de El Golfo
a força destrutiva das erupções não se limita ao Timanfaya, especialmente na parte centro e sul da ilha, é visível esse continuado de rochas negras que se estendem, em algumas zonas, até ao mar. El Golfo é uma zona onde observamos precisamente esse contraste entre o azulão do mar e areias negras e rochas vulcânicas que em alguns locais se assemelham a uma onda petrificada.
imagem 04: vinhas típicas de Lanzarote
imagem 05: exemplo de cacto no exterior de uma propriedade
não é fácil pensar em agricultura em campos dizimados e terras cobertas de cinza. no entanto, tal como acontece na nossa (linda, linda) Ilha do Pico, ao longo dos anos foi aperfeiçoado o cultivo de vinhas, e foi exactamente a agricultura a base da economia local durante muitos anos, só recentemente ultrapassada pelas receitas provenientes do turismo. passamos também por grandes propriedades destinadas à plantação de Aloe Vera, existe até um Museu (eu trouxe um creme que cheira tão bem!). inicialmente, pensei que a planta Aloe Vera fosse um cacto mas estava enganada, podem saber mais acerca da planta aqui.
e já que falei em cactos, nem imaginam a variedade que se encontra por lá, cactos rasteiros ao chão, cactos que trepam muros, cactos em forma de árvore, cactos avermelhados, cactos para todos os gostos e feitios que acabam por ser o elemento base para a decoração de praticamente todos os espaços ajardinados na ilha. adorei o contraste do verde destas plantas com o negro das pedras e o branco dos muros.
imagem 06: Playa de Famara
imagem 07: paisagem a sul de Lanzarote
antes de viajarmos para a ilha, já tinha lido que as temperaturas eram muito amenas e a chuva era uma raridade ao longo do ano. torci o nariz. o nosso fascínio por ilhas já nos ensinou que o lado norte, é sempre o lado norte, por isso, coloquei um casaco de malha na mala. posso dizer que é uma peça viajada fora isso, permaneceu na mala durante todos os dias. a verdade é que, mesmo no lado norte ou nos picos mais altos da ilha (penso que rondam todos os 500m) onde apanhamos nevoeiro cerrado, a temperatura não baixa dos 20ºC e o vento é morno (influências do deserto não muito distante, em terras africanas), e portanto, nada comparável à nortada que se faz sentir nos areais do meu norte. no mesmo dia, chegamos aos 21ºC no tal pico e 46 minutos depois, estávamos no litoral sul, na praia, com 31ºC no termómetro.
imagem 08: Playa Blanca, sul de Lanzarote
e que bela era a nossa praia. aquela água fez as delícias da mais pequena que, em período de férias, é filha de peixe, só (ainda) não sabe nadar. o que ela se entretinha entre construções, fugas das mini ondas e saltos na água! o Hotel também era uma maravilha, separado da praia apenas por uma calçada, com vista para Fuerteventura... que apesar de nos estar acessível através de uma simples viagem de ferry-boat, deixamos intacta, entre desejos e planos de uma visita futura.
no geral, foram uma semana excelente. plena de descobertas. fizemos um dia de praia e no seguinte já tinhamos alugado um carro, prontos para a descoberta, a três, das particularidades de mais um cantinho na Terra. de Lanzarote não posso dizer que seja uma ilha bonita. não da mesma forma como, por exemplo, as ilhas dos Açores mas é sem dúvida única, pela demonstração de força bruta e efeitos pictóricos que caracterizam a paisagem. pelos silêncios que conseguimos ouvir e pela forma como ainda mantém intactos costumes e particularidades locais, muito devido aos esforços de César Manrique, que culminaram na classificação de toda a ilha como Reserva da Biosfera, pela UNESCO em 1993.
Mas do César Manrique tenho muito mais para vos contar...

*aquela parte do "fizemos um dia de praia" significa que no primeiro dia na ilha ficamos pela praia e hotel e no seguinte alugamos o carro mas, obviamente, seguiram-se outros dias de praia e relax!

15 comentários

  1. Gostei.
    Continua, continua que estás a abrir o "apetite". =)

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  2. aguardo o resto :D que bommmmm estás de volta

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  3. i'm back SAV!
    harder, better, faster, STRONGER :)

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  4. Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

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  5. Ai gaja essas fotos transmitem tanta paz que delicia e essa agua humm
    estou curiosa com o Saramago :-)
    beijinhos gostei muito da descricao que fizeste

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  6. Adorei o contraste da terra irregular com a estrada lisa e perfeita, bem como da beleza (e originalidade) das vinhas, e claro, a água!

    E é muito interessante como o Homem procura contornar os obstáculos da Natureza e consegue utilizar aquela terra árida para seu sustento!

    Não fazia ideia de que era uma ilha tão diferente, tão única (bem dizes que não é propriamente bonita, mas é muito peculiar...)!

    Em suma, bonitas fotos & uma não menos bonita descrição!

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  7. Não consigo deixar de imaginar a minha alarica nessa águinha, mas os pais são preguiçosos e quiseram ficar mais perto... queremos o resto! Que reportagem fantástica!!! :) Bjs xx

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  8. pessoal, a água é realmente magnífica e nem imaginam a quantidade de peixinhos que passavam entre nós. vimos um grupo de jovens a pescar o que eu identifiquei como sendo douradas, apenas com um fio e um isco na ponta. era mergulhar o isco e 5 segundos depois vinha peixe!

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  9. fico contente por estarem a gostar da descrição. quem me dera estar agora a preparar os posts do Manrique e Saramago... custa tanto este primeiro dia de regresso ao trabalho:) hehe

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  10. Eh pá que espectáctulo!!! Adorei a foto-reportagem! As nosas férias continuam por marcar.................... Imagina! beijocas nossas

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  11. Lindo Lindo!!!!
    Que maravilha!!!
    Depois temos de falar melhor :D

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  12. olá. que hotel ficaste? E a praia tinha mesmo areia branca?:)

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  13. oá Silvia. qualquer hotel na Playa Blanca pode usufruir da praia com areia branca. a dos Papagayos também, mas para esta o acesso é difícil e pago.

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