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YOUR CITY - Dia 28

"Your city", ou uma questão de tamanho.

grande
quantas vezes eu atravessei o rio, junto à serra do Pilar. ia sempre na dúvida, se o meu maior receio era causado pelas vertigens, se pelo facto de temer que a ventania, ou as rasas dos autocarros, me levassem pelo ar a enorme capa de desenhos que ia sempre comigo.
eu não nasci no Porto, eu vivo o Porto. gosto de tudo menos do abandono que ainda sente no centro histórico. custa-me (dói) ver estes edifícios esquecidos, maltratados, sujos e degradados. e mesmo assim, mesmo sem nada, com uma presença que mete no bolso os alumínios e vidros duplos espelhados da vida moderna. quem lhes dera ter estas escadarias com chapéus em forma de clarabóias. you wish.
gosto de percorrer ruas à minha escala, que me deixam respirar. olhar para cima e ver janelas com cortinados de renda, ramos de árvore e estátuas que resistem ao passar dos anos. cruzar-me com velhinhas que me desejam um bom dia e velhotes que prolongam no tempo as amizades, entre jogadas de carta e discussões acesas sobre futebol.
gosto de sentir este novo pulsar. um renascer do coração da cidade, numa altura em que só se houve dizer que estamos mal. aqui está-se bem.

médio
sabe bem regressar a casa, trocar o rio pelo mar e abrandar o ritmo. aqui é mais fácil trabalhar, não há lojas do grupo Inditex para nos distrair e não lhes sinto a falta. é bom viver aqui porque não estou só. tenho alguém com quem partilhar este por-de-sol e só com ele e ela vale mesmo a pena. o carro não sai da garagem, é altura de encher os pés de areia, colocar uns óculos de sol e olhar as ondas. brutas e fortes, como os corpos dos surfistas que deslizam nelas.
praise the lord.

pequeno
adoro o Porto e adoro o mar (foi aqui que nasci). adoro andar por aqui e por ali. conhecer cidades com outros tamanhos, outras gentes e outras culturas. subir montanhas que alcançam outras paisagens, mais longínquas, desconhecidas. no entanto, há recantos que conheço desde sempre, que se entranharam em mim. no meu sotaque, nos meus gestos, no meu olhar. sou de uma terra pequenina, próxima de tudo mas virada para si. há uma igreja que olha o vale, quase sempre verde, algumas vezes branco. atravesso a rua sem olhar para os lados e, em qualquer direcção, vejo família.
o tema de hoje é a cidade mas eu alarguei o conceito.
a minha terra é assim, uma questão de tamanho.

24 comentários:

  1. Grande vénia, Artezinha! Simplesmente, adorei este post. :)

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  2. Que giro.. a minha terra do meio da semana!!! ;-DDD

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  3. Sim, é assim a "CASA". Gostei muito de revisitar estes locais. Beijinhos

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  4. Bonito post sobre o teu Porto (e meu... que vou para lá todos os dias)!
    Beijinhos.

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  5. Rendi-me!
    Parabens Art.Soul

    Baci*querida

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  6. obrigada a vocês, por me fazerem sentir tão bem a escrever sobre estas "minhas" coisas:)

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  7. Eu adoro o Porto, não me importava morar lá. Bj**

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  8. Gostei tanto da forma como contornaste o tema. "a tua terra" em grande, médio e pequeno. :) Perfeito*

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  9. Grandes palavras para uma grande cidade que adoro.
    Que delicia ler este post.

    Beijinhos.

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  10. Fui ao Porto com os meus pais há largos anos e já não me lembrava de grande coisa, por isso no ano passado decidimos fazer uma visita de fim-de-semana relâmpago e adorámos!! (era uma cidade onde viveríamos sem qualquer problema!)
    Gosto tanto de ler o que escreves sobre o Porto porque me dá sempre uma imensa vontade de regressar por mais tempo :)
    Adorei as fotos!
    Beijinhos*

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  11. Adorei o post. É comovente ler-te, pões tanto amor nas palavras. :)
    E o desafio está quase a acabar... (suspiro)

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  12. Que belo texto e que bela a cidade aqui bem perto. :)

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  13. Escreves muito bem, moça! :)
    Beijocas *.*

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  14. Uma cidade com a sua importância para Portugal, pois o país não seria o mesmo sem ela :)

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