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um passeio ao final do dia


Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento ...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva ...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja ...
 
Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXI"

4 comentários:

  1. Que fotos lindas! Agora, quando chego a casa, já está escuro, escuro. Não consigo aproveitar este magnífico cenário. (odeio o horário de inverno).

    Beijos!

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  2. "Mas eu nem sempre quero ser feliz."
    Adoro... belas fotos :)

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  3. Filipa, já falta pouco para teres uma companhia muito especial, em caminhadas diurnas junto ao mar. "eles" adoram adormecer em modo passeio;) beijinhos

    Ana, é demais este poema, e o por-de-sol estava à altura;) beijinhos

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