Complicar o que é simples

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(sugiro a leitura deste post e deste post)

Todos os dias recebemos mensagens e estímulos provenientes das mais variadas origens. Neste momento, posso dizer que o facebook é um dos locais onde me sinto bombardeada por opiniões em forma de ameaça. Não comas carne. Corta o cabelo. Destralha a casa. Veste preto. Transforma-te num empreendedor. Faz tu mesmo. Põe gel nas unhas. Ganha um iphone. Come sementes. Usa este creme que me ofereceram. Tira fotos em família tratadas com photoshop. 
Menos, pessoal. 
Muito menos.
O facebook amplia as modas e tendências do momento mas de forma violenta. Quer-nos fazer sentir mal por estarmos a trincar um belo naco de salmão. Ou por termos as prateleiras lá de casa cheias de livros, fotografias e pedras que apanhamos na praia. Quer que todos sejamos capazes, e ser exímios, em trabalhos manuais, dominar a técnica do guardanapo e reciclar uma cadeira. O pior de tudo. Faz-nos crer que é tudo em nome da busca pela nossa essência. Aquilo que realmente somos. 

Eu sou algumas dessas coisas. Noutras sou o oposto. E sabem... não há problema nenhum nisso. Não há problema em ter quadros na parede, ter cestas com conchas apanhadas na praia. Ter muitos livros na prateleira e cair um frasco quando se abre um armário. A sério, não há. Acreditem, sou uma pessoa organizada e gosto de saber onde estão as coisas mas quero essas coisas em minha casa. Perto de mim. Disponíveis para quem as quiser conhecer. Saber mais sobre esses objectos é saber mais acerca da nossa família. Entrar em nossa casa é entrar no nosso mundo. Não em espaços mobilados que estão à espera de ser capa de revista. É bom conversar quando se passa por uma foto. Parar quando se passa por um par de sapatos usados, que a nossa mãe guardou (a tal tralha) durante anos. 

É interessante tirar ideias oriundas dos quatro cantos do globo mas é importante decidir com o ecrã desligado. Fervilho em ideias quando me sento ali na areia, a levar com a nortada nos cabelos. Ou quando perco tempo a brincar com a minha filha com os Playmobils. Ou quando vou comer peixe cru com o marido, à baixa do Porto. Ou quando corro com o Kanye West a cantar-me aos ouvidos. 

Não há problema em sermos algumas das coisas que nos dizem para ser. Desde que seja essa a nossa opção. Livre e sem complexos de culpa. Porque tem muito mais graça aceitarmos as diferenças dos outros, do que sermos todos mais do mesmo. Experimentem. Vão ver que faz tudo muito mais sentido. E tem muito mais graça.

16 comentários

  1. Não podia concordar mais. Até porque acho que do mesmo modo que o facebook nos ordena a entrar no rebanho, temos a contra-corrente que contradiz tudo o que é tendência. Não há mal nenhum em seguir avidamente uma moda, como não há mal em não ligar nenhuma a algo que... não nos diz nada.
    Desde que tenha a ver connosco próprios acho que estamos sempre bem entregues.
    E agora com a tua licença, vou partilhar este teu posto no meu tasco, porque há uns tempos que penso nisto mas tu disseste-o muito melhor que eu! :)

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  2. Analog, partilha à vontade ;) Beijinhos

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  3. Obrigada por ter posto em palavras o que eu penso desde há muito tempo mas não tinha conseguido verbalizar. Acho que as pessoas, neste momento, têm tendência em ser um todo que faz tudo da mesma maneira, veste igual e pensa da mesma forma. Onde está a originalidade de cada individuo? Bom resto de dia. Bj

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  4. Palminhas para artezinha ;)
    E' Isso e as festas de anos dos miudos, agora tem de ser todas tipo catalogo com um bolo XPTO data fulaninha tal, e uma serie de tralhas a decorar a mesa, bolachinhas alinhadas ao centimetro,E comidinha daquela mesmo boa que e' o que enche barriga nada lolol
    bjoo

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  5. Isa P., também andava com esta "entupida" ;) Beijinhos, bom dia para ti também

    Miss America (não sei pk te chamo sempre isto lol), podes crer!!! ainda hei-de falar dessa :D mas como a maioria a que vou são "normais" passa-me um pouco ao lado :) BEIJOS

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  6. É isso tudo o que dizes e a corrente que se cria entre determinadas bloggers. Todas na berra, que trocam elogios umas entre as outras e no meio andam algumas tolinhas feitas bolas de ping pong.
    NO blogue referi-me, há tempos, a algo que vai de encontro ao que dizes.
    Às vezes não há pachorra para esta divindade!
    http://umbocadoassim.blogspot.pt/2013/10/culto.html

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  7. Obrigada. Precisava mesmo de ouvir isto.

    (para além de todos os que já disseste)
    Faz costura. E crochet e malha. Ou até bijuteria. Faz trabalhos manuais com lixo reciclado. Organiza-te com a agenda XPTO. Faz bolos artisticos. Cozinha como um chef. Faz dieta. Não bebas leite. Come aveia e bagas goji. Veste os filhos como se fossem todos os dias para um casamento com golas e laços. Vai a mil e uma actividades no fds (e não tenhas tempo para descansar). Vai a feiras fashion. etc...

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  8. Blue, neste caso nem me refiro a bloggers, falo mesmo na generalidade e no que vejo rolar no meu facebook pessoal. Essas divindades passam-me ao lado... não as leio :)

    1gota, É mesmo!!! A lista é interminável... :)

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  9. por essas e por outras ando a desligar do facebook. o meu mural é cada vez mais publicidade: enganosa e agressiva. vou desligando páginas, pessoas e blogs. todos querem ensinar a ser assim ou assado... muito bom este post.
    ***

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  10. Eu também não as leio, mas essas divindades passam também pelo facebook porque agora as bloggers tb usam o facebook para terem ainda mais notoriedade. E nem preciso lê-las para que as coisas cheguem até mim, como sabes.

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  11. eh eh eh
    É importante não perder a identidade :D

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  12. Estava aqui a escrever um comentário gigante mas apaguei porque tu disseste tudo tão bem.

    Aproveitar tudo o que de bom tem (a net) e ser o que o nosso íntimo nos manda ser! Eu só sei ser feliz assim, os outros não sei... se querem ser conduzidos e se sentem bem assim, força...

    Bjs x

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  13. Paula, e eu sei perfeitamente quem tu és, e tu és fixe!!!

    Beijos para todos aí em casa e bom fim de semana ;)

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  14. Estou alegre por encontrar blogs como o seu, ao ler algumas coisas,
    reparei que tem aqui um bom blog, feito com carinho,
    Posso dizer que gostei do que li e desde já quero dar-lhe os parabéns,
    decerto que virei aqui mais vezes.
    Sou António Batalha.
    Que lhe deseja muitas felicidade e saúde em toda a sua casa.
    PS.Se desejar visite O Peregrino E Servo, e se o desejar
    siga, mas só se gostar, eu vou retribuir seguindo também o seu.

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