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Pintar com crianças (aviso: texto longo)

Já tenho respondido a alguns emails vossos relativamente a este tema, por isso resolvi desenvolver um pequeno post acerca da minha opinião sobre: pintar com crianças. Esta é a minha opinião com base na experiência cá de casa e sem qualquer base científica, exactamente como a pintar em casa com os nossos filhos deve ser: livre e sem regras.

COM QUE IDADE COMEÇAR?
Não vos sei dizer quando a minha filha começou a rabiscar mas penso ter coincidido com a altura em que começou a pegar numa colher. Sei de alguns casos em que as crianças tinham tendência a querer saborear o material de pintura mas isso nunca aconteceu cá em casa. Como é óbvio, cabe aos pais saber quando é que é seguro começar a introduzir este tipo de materiais mas a verdade é que em lojas tipo Imaginarium, há uma variedade de produtos para iniciar nas pinturas, como por exemplo os carimbos, que são indicados para idades dos 0-3 anos.

QUE MATERIAIS USAR?
Aqui há muitos factores a ter em conta. Mais uma vez, saber o que é seguro para a idade e fase de desenvolvimento da criança mas na maioria das vezes está relacionado com uma preocupação por parte dos pais: SUJAR. Na imagem em cima coloquei os materiais de pintura mais usuais e separei em duas categorias, limpos e sujos. 
LIMPOS: Para mim o mais prático é o lápis de cera. Os lápis de cor, não sujam mas facilmente partem o bico por isso, em idades mais pequenas, acabam por não ser tão práticos. Nas grandes superfícies existem baldes de lápis de cera que duram uma eternidade. Ofereceram um à minha filha quando fez um ano e ainda andam por aí muitos exemplares, alguns já partidos ao meio, mas dado o uso intensivo estão em excelente estado.
SUJOS: A minha filha adorou quando lhe ofereci a primeira caixa de aguarelas. Claro que as cores ficaram sujas na primeira utilização mas faz parte da aprendizagem. Nas grandes superfícies podem encontrar caixas de aguarelas a preços bem simpáticos e duram muito tempo (podem é ficar todas a pintar apenas preto muito rapidamente). Depois existem os guaches que podem comprar em frasco ou em tubos. Mais uma vez, é normal que o tubo se gaste na primeira utilização mas acredito que faz parte do conhecimento do material e da aprendizagem por parte da criança. Uma das principais vantagens é poderem aprender que as cores originam outras cores, misturando-as e observando o resultado. No caso de tintas à base de água, convém usar blocos de folhas tipo cavalinho para que absorvam mais rapidamente as quantidades monumentais de água que a criança vai usar. Também se encontra disponível em lojas tipo Staples, pincéis com o reservatório de água, que tornam mais prático o uso das tintas e eliminam a existência de um copo com água que às vezes vira na mesa e molha tudo pode onde passa.

ONDE PINTAR?
Folhas brancas! E por folha branca não me refiro à cor mas sim ao facto de estar livre de desenhos e contornos para preencher. Os livros de colorir podem ser mais interessantes por volta dos 4 ou 5 anos (aqui em casa ela não é fã) mas prometam-me que não obrigam nem penalizam as crianças se pintarem fora dos riscos. Deixem-nos inventar os seus próprios cenários. Não lhes digam, por exemplo, que o céu é o azul, até porque este inverno foi maioritariamente cinzento e ainda ontem ao final do dia tinha uns tons laranja e rosa lindíssimos. Comecem por lhes oferecer blocos de notas com folhas lisas para eles irem preenchendo, podem comprar ou simplesmente agrafar umas folhas que tenham lá por casa.

COMO PROTEGER A ROUPA E A CASA?
A maioria das tintas indicadas para crianças e à base de água, são facilmente laváveis. Em último recurso, quando não saem numa simples lavagem de mãos, saem mais tarde durante o banho. Como eu ando muitas vezes com os dedos e as mãos pintalgadas de tinta, acaba por ser um aspecto que coloco em segundo plano. De qualquer forma, hoje em dia, é fácil encontrar uma bata para pinturas mas o meu conselho é terem por casa um casaco ou uma camisa para usar apenas nestas situações, as mães mais habilidosas podem até coser uma bata mais personalizada (há vários modelos disponíveis online).
Relativamente à casa, se têm receio de salpicos e pinceladas nas paredes, o ideal é deixar a criança pintar numa mesa grande e proteger o tampo com um resguardo qualquer. Aqui em casa ela pinta na mesa de refeições e nunca pintou nas paredes, com excepção do quadro que pintei para esse efeito e que podem conhecer o processo aqui, aqui e aqui.

COMO GUARDAR PARA MAIS TARDE RECORDAR?
Aqui por casa não posso guardar todos os rabiscos dela mas sempre quis ter um local onde pudesse compilar os desenhos, por ordem cronológica, e perceber a evolução do traço dela e principalmente ver o que ela decide passar para o papel. Cada vez mais ela desenha aquilo que tem para ela verdadeiro significado: um arco-íris, a mãe a fazer ginástica, a cadela dos avós, a visita a um local especial, os personagens do Thomas ou do My Little Poney, as melhores amigas a brincar no recreio...
Com a ajuda da minha mãe (que ficou com ela em casa até aos 3 anos) fui seleccionando e arquivando numa pasta tipo portfolio (como esta) os desenhos mais significativos e para já, com 5 anos, consegui resumir e compilar tudo apenas numa primeira capa (que está quase a ficar completa). É verdade que tenho desenhos dela espalhados pela casa e alguns nos dossiers dos anos anteriores do jardim infantil mas penso que tenho conseguido cumprir este meu objectivo e ela, sempre que queira, pode facilmente folhear por entre os desenhos e ver o que fazia quando era bébé - esses, curiosamente, feitos na maioria com uma simples caneta BIC.

ESTAREI A CRIAR UM PICASSO?
Como partilhei convosco anteriormente eu tenho o hábito de fazer cadernos de viagem, como este, onde desenho o que vejo mas também anoto em texto sensações e peripécias das nossas aventuras em tempos de férias. Para além disso tenho blocos de desenho que costumo ter sempre na carteira onde rabisco ideias ou anoto momentos num determinado dia. A partir dos 3 anos, comecei a incluir na mala de viagem dela um bloco e material para desenhar, apenas para ela. Se no primeiro ano sobraram bastantes folhas em branco, nos seguintes os blocos parecem pequenos perante tanto que há para desenhar e é um orgulho, para ela, mostrar às pessoas o seu bloco e contar as férias através dos seus desenhos. 
Não é minha intenção que ela queira ser pintora, artista ou arquitecta (esta última então...) no entanto, não me importo que o seja, por opção, se for nessa área que se sinta realizada. Acredito essencialmente que desenhar, tal como dançar, cantar ou tudo o que complemente e explore o lado criativo das crianças só pode ser benéfico. Explorar a imaginação é trabalhar um pensamento crítico. É aprender, brincando. Todos nós temos a noção da quantidade de anos que passamos a estudar, muitas vezes matérias que não nos dizem muito e que às vezes decoramos para depois esquecer, por isso acho essencial que estes primeiros anos de vida sejam de exploração e descoberta, da maneira mais simples e libertadora possível. E pode ser que mais tarde, os tempos das fichas de actividades, testes, exames e provas orais sejam etapas a ultrapassar de forma interessada e criativa no nosso percurso de vida. Que sejam parte daquilo de algo que considero essencial. Conhecer o que nos rodeia e desenvolver a essência de cada um de nós. 

3 comentários:

  1. Obrigada Marta, gosto da forma prática como colocas as situações.
    beijinho

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  2. anf, ainda bem que gostaste. Tenho recebido algumas questões dentro do tema e ontem o teu comentário/questão fez-me elaborar este post. Beijinhos :)

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  3. Tb já iniciei o meu piolho nas aguarelas. Mas as que lhe ofereceram não valem nada, tenho de investir noutras melhores. ;)
    Ele adora pintar, criar os rabiscos dele. Tenho imensos cadernos pretos, cheios de criações. Às vezes apetece-me jogar fora, outras dá-me pena. Acho que vou fazer uma selecção e arquivar, como dizes. :)

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