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Capicua

Há já TANTO tempo que queria anotar aqui, neste meu bloco de notas virtual, os Capicua. Mas sinto que falar de Hip Hop é tantas vezes confundido com colares de ouro ao pescoço que muitas vezes perco a vontade. E guardo estes bombons deliciosos só para mim. Porque para mim Hip Hop é isto. É ouvir música como quem lê uma história. Como diz o Gabriel nos bons velhos tempos "O hip-hop entra pelos ouvidos e sobe para a cabeça."
Mas voltemos à portuense Capicua. Tem um site LINDO. Um facebook com uma foto deliciosa. E esta Casa no Campo devia ser de audição obrigatória. Várias vezes ao dia. Oiçam e acompanhem a leitura, quando tiverem 3:34 minutos do vosso tempo. Bem vindos ao meu Hip Hop.

Quero uma casa no campo como elis regina,
Plantar os discos e os livros,
E quem sabe uma menina,
Por mim até podem ser mais,
Um amor como os meus pais,
Os dias como os demais,
Sem serem todos iguais.
Casa no campo com a porta sempre aberta, deixar entrar amigos,
Partir à descoberta,
Ter a minha cama grande a colcha predileta e um cão desobediente em cima da coberta.

Quero uma casa completa
um pedaço de terra,
E com o espaço quero o tempo para adormecer na relva,
Longe da selva de cimento,
Eu acrescento que quero cultivar mais do que mero conhecimento,
Quero uma horta do outro lado da porta e quero a sorte de estar pronta quando a morte me colher,
Quero uma porta do outro lado da morte,
Ter porte de mulher forte quando a vida me escolher.
Quero uma casa no campo que cheire a flores e frutos,
A gomas e sugus,
A doces e sumos,
Cozinhar para quem quer comer,
Comer como sei viver,
Com apetite já disse eu não quero emagrecer.
Comer de colher sopa,
Fazer pão,
Estender a roupa,
Eu faço pouco das bocas que me dizem para crescer,
Eu quero rasgar janelas nas paredes cujas pedras
carregar com as mãos que uso para escrever.
Casa no campo com lareira e fogo brando,
Que ilumina todo o ano,
O sorriso de quem amo,
Quero uma casa no campo que pode ser na cidade,
Mas tem de ser de verdade,
Mesmo não tendo morada…

Onde é que aprendeste o que é o infinito ?
Foi na contra-capa de um livro da Anita
Diz-me qual é o teu perfume favorito ?
Pão quente, terra molhada e manjerico

Onde é que aprendeste o que é o infinito ?
Foi na contra-capa de um livro da Anita
Diz-me qual é o teu perfume favorito ?
Pão quente, terra molhada e manjerico
Diz-me qual é o teu perfume favorito ?
Pão quente, terra molhada e manjerico

Anda viver comigo
colamos o nosso umbigo
e não passaremos frio
no nosso lugar distante
Como um filho, como um disco, como um livro, uma ave.

5 comentários:

  1. Tu não te retraias em nada do que te apetece partilhar! Se não fosses tu eu não ia descobrir isto nunca... precisei de mais de 3:34 minutos porque adorei e estou a ouvir em loop!!! Obrigada!!! Bjs xxxx

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  2. PS o poema e a música... temos tantos talentos escondidos neste país pequenino...

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  3. Uba, mesmo :)


    Paula, eu tb estou em loop
    Sim, não me vou retrair!!! ;)

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  4. É tão bonita a letra. E sabes... É MESMO assim! :)

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