Do voltar onde fomos (e seremos sempre) felizes



Inesperadamente, voltei à minha infância. Assim, de um segundo para o outro. Ao entrar nos portões das Termas da Curia lembrei-me do meu pai, quando eu era criança. Atlético, moreno, simpático, cabelos e bigode pretos. Tal como é hoje mas numa versão mais grisalha. Enquanto não chegava ao lago questionava se ainda o iria achar enorme, porque as escalas variam quando passamos à idade adulta. Mas estava tudo como eu recordava. O lago continuava grande, verde e povoado por patos. As gaivotas eram as mesmas, paradas sobre a água. Paradas no tempo. 
Eu voltei atrás no tempo. 
Ao meu olhar inseguro ao ver tanta água à minha volta e ao sentimento de segurança, por estar de mão dada com o meu pai. Na margem a minha mãe aflita. O meu pai é brincalhão e é pessoa para pedalar a grande velocidade e eu até posso cair à água ou ele até pode querer mergulhar, como fazia nas águas do Algarve enquanto eu ficava a acenar para o areal, a abanar com as ondas e com a força do impulso do seu salto. Mas nada disso acontece. No meio da tranquilidade deste mar de verdes, ouvem-se as minhas gargalhadas e os assobios e vozes de "faz de conta" do meu pai. Somos piratas.
Hoje sou mãe e os cabelos grisalhos começam a aparecer. Falta meio metro para a minha filha ser mais alta que eu. Mas nesse intervalo de tempo, antes da escala com que ela vê o mundo se alterar, espero conseguir dar-lhe memórias de lugares assim. Lugares perto de casa, sem néons nem formalidades, onde ela possa voltar a ser criança e sentir-se feliz. E acima de tudo, olhar para árvores altas e bonitas e lembrar-se de mim.
Tenham um excelente fim de semana.

2 comentários

  1. O verde. É do que sinto mais falta cá em baixo, é desse verde. Só de olhar sinto a frescura, oiço o som da água, a água límpida e fresca.
    Sim, dá-lhe essas recordações, são as melhores.
    Beijinhos <3

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