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Infância: Trepar árvores



Na minha infância, a minha família paterna partilhava a mesma rua, avós, tios e tias, primos e prima, e nós: eu, os meus pais e irmão. Todos tínhamos vistas para um pequeno pinhal das janelas de nossas casas. Pequeno é força de expressão. Era minúsculo mas na altura era enorme. Foi o palco das mais variadas brincadeiras mas a que mais guardo na memória é o trepar as árvores. Quando não havia nada para fazer trepávamos árvores, quando não sabíamos para onde ir... subíamos árvores. 

No pinhal havia um sobreiro lindo. Eu adorava aproximar os meus olhos muito perto da sua casca. Lembro-me que a textura me deslumbrava. Era a única árvores que eu conseguia subir... ligeiramente. Na maioria das vezes puxada pelos meus primos, outras empurrada pelo meu pai. Ficava sentada no primeiro ramo, a assistir às acrobacias dos rapazes, cheia de medo de cair.

Eles dominavam o sobreiro e isso é aborrecido quando se é criança. Por isso, nas tardes com mais tempo, passavam para o eucalipto ao lado. Tenho ideia que era proibido. Trepar sobreiros sim, eucaliptos não. Quando os meus primos anunciavam que iam para o eucalipto eu ficava cá em baixo. Apanhava flores enquanto eles subiam o sobreiro e parava para os ver quando já estavam lá no alto. Ajudei-os a pregar partidas a alguns vizinhos (atiravam ovos chocos lá do alto) e dizia aos nossos pais que não sabia deles. Eles desciam agarrados ao tronco, como se fosse um escorrega. Era brutal.

A ideia de contar e ilustrar histórias a minha infância surgiu aqui e o objetivo é que recordamos as nossas histórias e que torná-las tema de conversa lá em casa. "Trepar as árvores" é a primeira.




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