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Infância: as dedaleiras


Eu cresci no meio da rua mas, essencialmente, no meio de primos. Juntamente com os filhos dos vizinhos dominávamos a rua, na altura em que raramente passava um carro. No meio de muitos machos - entre os quais sempre me senti bem - a minha prima era a minha companhia quando havia necessidade de sair do reino das BMX e passar uns momentos num reino mais florido e feminino. 
Lembro-me de dançarmos ao som do meu rádio amarelo, lembro-me de fazermos colares com flores, acima de tudo, lembro-me de corrermos no meio das ervas altas, deixando o percurso marcado atrás de nós. Não me lembro de bonecas mas de muitos Pin&Pon, com os quais a minha filha agora brinca. 
Quando recordo a minha infância, não me vem à memória chuva, vento ou mau tempo. Como se tivesse vivido num verão permanente. Passávamos dias inteiros no pinhal ou no meio de um campo. Rebentávamos dedaleiras nas mãos e o tempo era nosso. Tentei passar para um desenho essa época e mergulhei-nos em verde. 
Demorei um pouquinho a acabar o desenho mas até calhou bem. Hoje ela faz anos e posso dedicar-lhe este texto e esta imagem, que lhe irei oferecer. Porque outra coisa não faz sentido.

Mais sobre a série "A minha Infância":
O Início (link)
Trepar árvores (link)
Funeral de pássaro (link)

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