E quando todos parecem ser melhores que tu?

 (nota prévia: este casaco - deste angulo - e estas olheiras não me favorecem)

No passado fim de semana fui ao Lugar do Desenho (link) revisitar e celebrar a obra do pintor Júlio Resende. Assinalava-se o centenário do seu nascimento com um concerto do fantástico pianista Júlio Resende (há coincidências felizes) e eu não quis perder. Apesar de ser um espaço que adoramos e tão pertinho de casa, já não íamos lá há uns anos. Aproveitamos para ir com tempo e visitar a exposição. 


As cores e a expressão daqueles traços fazem-me muito feliz. É, sem dúvida, uma das minhas grandes referências na pintura. Fico comovida quando vejo estes desenhos, comovida e com vontade de chegar a casa e desenhar muito. Mas cheguei a casa e não desenhei nada. Na verdade bloqueei por completo.
A sensação prolongou-se até ao dia seguinte. Depois de umas horas perdidas a rasgar desenhos e a sentir-me inútil, resolvi sentar-me na minha biblioteca e pegar nos livros daqueles que mais me fazem suspirar, artisticamente falando: os Impressionistas e os Expressionistas. Reencontrei um catálogo de umas das minhas exposições preferidas e tive vontade de pintar. Pintar telas, pintar GRANDE, pintar muito. Pensei que tivesse sido um dia perdido mas não foi. Tive de dar esta cabeçada na parede para desbloquear alguns receios (tenho muitos) e andar para a frente. Quando todos parecem melhor que nós, a única alternativa é não esperar demasiado e darmos passos na direção daquilo que somos, fazendo o que nos faz feliz.

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