Afinal, quem sou eu?

Ponto prévio: Leiam este post como uma reflexão partilhada e não como uma crise existencial. Eu estou bem.

Quando eu era criança o meu pai brincava na rua connosco. Comigo, com o meu irmão, com os meus primos e com os meus vizinhos. Eramos muitos. De vez em quando, entre brincadeiras, ele dava um salto no ar, batia os pés um no outro e gritava: "SOU REI!".  Nesse momento eu sentia um orgulho enorme em ser filha dele. Aquele era, para mim, um grito de liberdade e felicidade como nunca ouvi de ninguém. Muito menos um adulto. Ele era - e é - diferente.

Hoje em dia, em várias situações recordo esse grito. Aprendi, com o tempo, a dominar a timidez e facilmente me integro num grupo. Na verdade, gosto de conhecer pessoas novas, de descobrir o que as faz feliz, de saber as suas histórias ou os seus planos para o futuro. Mas nunca senti pertencer a um grupo. 

Se na altura da escolha hesitei entre Artes e Quimicotecnia - eu tirava 100% consecutivos a Química - sei, sem nenhuma dúvida, que tinha mesmo de ser este o meu caminho. O estudo da Arte fez-me crescer, não apenas pelos conhecimentos que adquiri mas pela consciência que tive de quem eu sou. Tornou-me mais segura e consciente das minhas escolhas, mesmo que signifiquem alguma solidão.
Faço esta reflexão porque tenho pensado muito naquilo que quero transmitir através dos meus desenhos. Naquilo que até agora tinha tanta dificuldade em assumir: a minha Arte. 

Quero dar vida aos meus personagens porque não me saem da cabeça. Porque têm mensagens bonitas para contar. E percebi que isso tem de ser feito de uma forma especial. E assumida. Não sei se são mães com filhos ou tios com primos. São bocadinhos de mim que depois se transformam em bocadinhos de cada um de vocês. São sonhos e histórias para contar. 

Acho que a descoberta do nosso caminho nunca tem fim. Pelo menos no meu caso, sei que é algo que irei sempre questionar. Mas se gritar "Sou Rei!", ainda que baixinho e só para mim, posso não saber para onde vou mas tenho a certeza absoluta de quem eu sou. Livre e feliz.

4 comentários

  1. Isto não me parece de todo uma crise existencial... gostei muito de te ler aqui. Aliás, é toda essa genuinidade que te caracteriza e nos trás aqui uma e outra vez! <3

    ResponderEliminar
  2. É complicado fazer um caminho diferente, mas aprende-se muito*
    Pode ser por vezes doloroso, mas ganha-se muito!
    O caminho é feito a andar, já dizia o Paulo Coelho e parece-me que estás a andar bem***
    Beijo

    ResponderEliminar
  3. Olá GAJA!
    Devo ir dar-te um beijo esta semana ;)
    Depois aviso :)
    Beijo

    ResponderEliminar

Com tecnologia do Blogger.