O que é uma serigrafia?

imagem da esquerda: composição matriz, que escolhi executar com colagem, ponto de partida de todo o processo
imagem da direita: na mão a raclete de serigrafia sobre o quadro com a tela

Depois tanto vos falar sobre a minha primeira serigrafia, gostava de partilhar convosco todo o processo e falar desta técnica que tanto me agrada.

A serigrafia é uma obra gráfica original, de edição limitada e irrepetível. Cada exemplar é numerado e assinado pelo artista, que deverá acompanhar todo o processo. 
Existem algumas variações no processo de serigrafia (stencil, desenho direto, fotolito...) mas a base de trabalho é um quadro onde é esticada uma tela em nylon que recebe as diferentes camadas de tinta, uma cor de cada vez. Eu fiz desenho direto, o que significa que cada cor era desenhada, em negativo, com a cola azul, na tela. Cada erro poderia significar apagar todo o quadro e voltar a fazer de novo.

imagem da esquerda: negativo pintado na tela, com cola azul
imagem da direita: negativo após passagem com tinta preta

Trabalhei sob orientação da minha professora de Oficina de Artes do 10º ao 12º ano, um reencontro  muito especial, passadas duas décadas sem nos contactarmos. Foi com ela que a minha turma experimentou e aprendeu várias técnicas de expressão plástica e História da Arte ensinada com distinção. Mas voltemos à serigrafia.


imagem da esquerda: colocação da tinta preta no quadro
imagem da direita: pormenor da raclete que transfere a tinta para o papel

O que exige mais perícia, em todo o processo, é o acerto de cada negativo, de forma a que cada mancha de cor saia no local exato e não uns milímetros ao lado. Falando ainda sobre a cor, todas foram executadas a partir das cores primárias, trabalhadas em cima da mesa, com uma espátula e diluente. A consistência certa era depois conseguida utilizando "blue spirit", até a tinta "fazer estrada". Nem muito líquida, nem muito pastosa.
imagem da esquerda: as duas camadas de cor iniciais, dois tons de rosa
imagem da direita: detalhe da aplicação da mancha de verde
imagem da esquerda: últimos acertos para aplicação da cor final, o preto.
imagem da direita: passagem do preto no quadro

Iniciei o processo com 25 folhas (tamanho A2) e terminei com uma série de 20. Não foi nada mau perante tanta novidade e uma disponibilidade de tempo, de minha parte, que não era a ideal. Cada cor implica um desenho de negativo, o fabrico da cor pretendida, a passagem da cor (folha a folha) para o papel e a limpeza final do quadro. Na cor seguinte, o processo repete-se. Por tudo isto, com feriados e compromissos à mistura, foi um processo que teve início em Novembro de 2017 e terminou em Junho de 2018.
imagem da esquerda: rede de secagem das folhas após aplicação da última camada de cor
imagem da direita: detalhe da serigrafia acabada, ainda a secar

Após aplicação da cor numa folha, esta é colocada a secar numa rede própria.
No final, cada serigrafia foi numerada e assinada, a lápis, por mim. A primeira da série foi oferecida à minha deliciosa filha, a origem das minhas ideias mais bonitas e coloridas.
A serigrafia chama-se "O rapaz dos calções às riscas" e estará (brevemente) disponível na loja online, sendo enviada sem moldura, num canudo bonito, decorado por mim.


Sobre a exposição, "Vínculos"

 créditos da imagem Rita Sineiro

Foi há pouco mais de uma semana que terminou a minha exposição "Vínculos", na Biblioteca de São Paio de Oleiros. Não tenho muitas imagens do espaço, andei ocupada a conversar com as pessoas, além disso, o reflexo da luz nos quadros relembraram o meu amadorismo na fotografia. Mas reuni  alguns dos trabalhos que fui partilhando no Instagram  - @martabsousa - para deixar aqui um registo do evento. 



A exposição foi o pretexto para eu abrir o bloco das ideias que me acompanha, pegar nos pincéis e pintar. Parece básico e simples mas para mim foi muito importante. Não senti nervos ou receio, em todo o processo fui invadida por sentimentos felizes e um bem estar constante. Os trabalhos nas imagens anteriores já estavam esboçados no meu bloco há quase 2 anos e só agora saltaram para a mesa de trabalho. São a vontade de dar cor e escala (são tamanho A3) aos meus personagens e foram tão bem recebidos que os três últimos foram vendidos no dia da inauguração. Para quem sente tantas inseguranças, como eu, foi uma força incrível para continuar. 

As minhas colagens, que só recentemente partilhei convosco mas que me acompanham há anos, também fizeram todo o sentido em estar presente. São imagens muito íntimas daquilo que me faz bater o coração. Reflexos e lembranças de passeios no meio do verde da montanha ou do amarelo das dunas e que são uma constante na minha vida, todos os meses do ano.

A minha primeira serigrafia "O rapaz dos calções às riscas", um conquista enorme para mim e a certeza que este é um caminho que quero continuar, mesmo que isso implique umas manchas de tinta no chão lá de casa. Adoro todo o processo, os cheiros, a sujidade, a surpresa dos resultados, as cores vivas, as texturas... Sim, vão ver muito mais deste tipo de trabalhos daqui em diante. 

Termino agradecendo todo o apoio que recebi. Foi indescritível a energia boa que recebi, de familiares, amigos ou simpáticos estranhos que acompanham o meu trabalho e que sinto que realmente gostam do que faço e estão sempre curiosos por ver mais e mais. 

Muito, muito obrigada.

*Todos os trabalhos não vendidos irão estar disponíveis na loja online a partir de meados de Setembro.

Junho e a necessidade de abrandar


Decidi tornar o meu Junho ainda mais MEU. Terminados os trabalhos que exigiam o uso de programas informáticos, sinto-me livre para fechar o portátil e usar apenas no estritamente necessário. Como me sinto feliz! O telemóvel servirá para manter os assuntos pendentes devidamente encaminhados e assim liberto as minhas mãos e olhos para pincéis e tintas, sujidades e alegrias. 

A vida tem de facto contornos imprevisíveis. Desde o final do ano passado que tenho pensado tanto em como sobreviver, em cenário hipotético, à falta das tecnologias ou das redes sociais que tanto me  ajudam a divulgar o que faço e hoje, depois de uma simples e descomprometida conversa num contexto tão banal quanto real, estou a preparar uma exposição individual dos meus trabalhos. Realmente tenho de lutar contra este meu conforto com a solidão e deixar de ser um bicho do buraco. Sair para a rua, falar com pessoas, mostrar o que faço, trocar experiências, aceitar de uma vez o convite para experimentar cerâmica (Peter Pan, esta é para ti) e ir desenhar com a minha filha finalista para as dunas. Por vezes acho que me fecho dentro da minha própria bolha mas é a minha defesa natural contra tudo o que de tóxico me agride, me magoa e para o qual não encontro explicação.
Como não tenho facebook no telemóvel há quase um ano, peço a vossa compreensão para a minha ausência por estas bandas. Estarei mais ativa no Instagram (@martabsousa) que continua a ser um lugar bonito e tranquilo, por onde gosto de passear.

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Ainda não enviei nenhuma, por isso, garanto que não serei um motivo de aborrecimento na vossa caixa de correio. 
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